UltraMaratona Rei e Rainha da Serra de Minas

A minha jornada até a Ultramaratona Rei e Rainha da Serra de Minas começou na sexta feira pela manhã. Meu plano inicial era alugar um carro e sair do Rio de Janeiro até Inconfidentes, mas acabei perdendo meus documentos durante o carnaval. Por um momento fiquei desesperado, mas no grupo do WhatsApp encontrei uma van que estava saindo de Belo Horizonte no sábado de madrugada. Então, dei um jeito de faltar o trabalho na sexta e partir para BH.

A van saiu bem cedo no sábado, por volta de 4:30 da manhã. Como não estávamos com pressa, paramos bastante até chegar em Inconfidentes, o que foi bom, pois muitos dos corredores já haviam corrido a Comrades e pude ouvir algumas histórias e conselhos.

Chegando em Inconfidentes, pegamos o kit da corrida e fiquei no hotel. Novamente meu plano inicial era ficar em Bueno Brandão, mas sem carro isso seria inviável. Felizmente consegui uma vaga no quarto do Marcos e do Luis porque o amigo deles não poderia mais correr no dia do evento. Como a cidade e o hotel eram pequenos, foi bem fácil encontrar todo mundo e se ajeitar.

Kit na mão, não havia muito para se fazer na cidade. Acabou que fiquei morgando no hotel e tomando sorvete e comendo outras porcarias pela cidade até ficar com sono e apagar. Como de costume, sono antes de uma corrida é sempre inquieto e acabei acordando muitas vezes durante a madrugada. Às 4 da manhã já estávamos de pé para tentar comer algo, arrumar os apetrechos e dar aquela esvaziada antes da corrida.

No ginásio, acredito que éramos aproximadamente 250 corredores. O evento era bem caseiro, então não possuíamos chip e nem um pórtico de largada. Quando o relógio marcou 6 da manhã o organizador deu a largada e partimos seguindo as várias setas demarcavam o caminho pelo chão.

Os primeiros 20km foram bem tranquilos, com alguns morros pequenos que eram vencidos facilmente com corrida ou uma caminhada rápida. Fiz esse trecho com o Marcos e o Denis. Cheguei até a pensar que a corrida não seria tão difícil como várias pessoas haviam falado. Mal eu sabia do que me aguardava à frente…

Despretensiosamente após uma curva, fomos surpreendidos com um paredão que parecia não ter fim e com uma inclinação demoníaca. Não tinha como, o caminho era andar. Era aqui que começava a corrida de verdade. Tentei segurar o ritmo para esperar o Marcos, mas ele estava um pouco mais devagar do que eu e disse para continuar na frente. Nessa hora, junta-se a nós a lenda Nilson Lima, de Uberlândia. O cara é um coroa na casa dos 55, mas corre com uma vitalidade impressionante. Corri uns bons quilômetros com ele, trocando idéia. Ele me disse que já iria para a quarta Comrades enquanto a esposa estava indo para a primeira. O cara foi muito gente boa e conversar ajudou muito que o tempo passasse rapidamente.

Como nem tudo são flores, chegou uma hora que não aguentei o ritmo do Nilson e disse para ele seguir em frente. Tentando me motivar, ele começa a usar a técnica de fixar um ponto à frente e falar que vamos correr até lá. Caí na dele e fiz mais alguns km nessa brincadeira, mas eventualmente fiquei para trás.

Passados alguns km, me juntei a outro camarada, o Wesley Fox. Eu havia conversado com ele na noite passada e vi que o cara era casca grossa. Havia feito o Caminhos do Rosa de mais de 200 km, além de ter ótimos tempos em maratona. O problema era que ele estava tendo uma crise no nervo ciático e não estava conseguindo correr nas descidas. Como eu já estava quebrado, fiz um trajeto de 8 km com ele, andando nas subidas e fazendo um trote leve no plano e descidas.

O cara era tão foda que mesmo com a crise no ciático, estava melhor do que eu. Falei para ele seguir em frente pois eu o atrasaria bastante. A partir daí, fiz o restante da corrida sozinho. Foram aproximadamente 10 km de muito sacrifício e de achar que o tempo não passaria. Eu não aguentava mais correr e até andar estava incomodando bastante meus pés. Para pior, os paredões não acabavam, sendo uma última subida no cafezal extremamente massacrante!

Comecei a falar sozinho para me distrair, lembrando dos vários vídeos do Ginger Runner e Billy Yang, onde não importava o que acontecesse, era para continuar se movendo. Mesmo com muita vontade de descansar nas subidas, eu segui em frente.

Acho que foi no km 50 (meu GPS há muito havia acabado a bateria) que achei um PC abandonado, mas com bastante Coca-Cola e água. Tomei um pouco do refrigerante e isso me deu uma sobrevida. Não estava bem, mas já conseguia voltar a correr nas descidas.

Nos últimos 2 km, já de volta na cidade, eu estava acabado, mas estava correndo de novo. Quando a dor de veado atacava (acabei tomando muita Coca-Cola), eu andava a distância entre dois postes e voltava a correr. Foi assim durante esse finzinho até finalmente chegar ao ginásio com 7 horas e 15 minutos. Pronto, só precisei disso para virar um Ultramaratonista!

Como não tinha conhecidos, fiz minha comemoração contida com a medalha no peito e feliz por superar mais essa distância. Ao mesmo tempo, triste pelo GPS ter morrido e não ter registrado. Não pensava na dor e nem na cerveja que comeria, apenas em comprar um novo, porque a Comrades não poderia deixar de ser registrada!

Ultramaratona Rei e Rainha da Serra de Minas => Feito!

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Krabi, fezes, fezes e mais fezes

Assim que chegamos ao hotel, desmaiamos por algumas horas e resolvemos sair para um almoço tardio. Mal sabia eu, mas esse seria um momento do qual eu me arrependeria por muitos e muitos dias…..

Saímos do hotel e fomos andando em direção à praia de Ao Nang. No meio do caminho, encontramos um restaurante simpático e bacana, uma boa opção para gastar os bahts a mais que havíamos trocado e que não valeria a pena guardar. Cada um pediu um prato, mas Bolonhesa apenas comeu umas batatas fritas, pois ainda estava meio enjoado. Claro, para não desperdiçar, comi o que ele deixaria sobrar no prato!

Voltamos ao hotel para mais um chochilo e, para nossa surpresa, as inglesas que conhecemos em Halong Bay estavam em Krabi e mandaram mensagem para nós. Como uma fênix que ressurge das cinzas, Bolonhesa solta o brado retumbante de um herói perante o desafio de uma batalha e parte para o banho ao mesmo tempo que marca de sair com elas.

Não sei o que comi e nem quando comecei a me sentir mal, mas fui assolado por um enjoo e uma vontade súbita de vomitar. Corri até o banheiro para extirpar o mal de mim, mas já era tarde. Passei a noite inteira com febre, suando, vomitando e com diarreia. Não foi bonito, mas sobrevivi. Em algum momento, no meio da noite, Guilherme retorna ao quarto dizendo que estava suando frio e que também vomitara. No fim, dormimos enquanto o valente herói do brado retumbante estava sozinho com as duas britânicas.

No outro dia, ainda me esvaindo em fezes, ouvi a história que Bolonhesa e Guilherme encontraram as meninas. Como não estava presente, não me sinto no direito de contar o que aconteceu…..

Para aproveitar as últimas horas da viagem, fomos dar uma passeio pela praia e tentar ver as inglesas de biquíni novamente. Conversamos um pouco e já estava na hora de começar a jornada de 40 horas até o Brasil. Vivi intensamente cada uma dessas horas, sendo cada peido uma surpresa e fazendo pelo menos 2 visitas demoradas em cada um dos aeroportos que passamos (Krabi, Bangkok, Dubai, Guarulhos, Confins), mas consegui sobreviver!

Nos dias seguintes vivi a base de Gatorade, água, soro, maçãs e antibiótico. Perdi vários quilos e meu cu nunca mais será o mesmo, mas hoje posso dizer que estou curado da diarreia que me assolou por tantos dias e me privou de algumas coisas (como um churrasco de confraternização da minha turma da universidade)! Vitória! E que venha a próxima viagem!

Maya Bay, Macacos, Booze Bag

Finalmente havia chegado a hora! Acordamos bem cedo e fomos em direção à praia de onde saiam os vários long-tail boat. O barqueiro do dia anterior estava por lá e rapidamente começamos o passeio. Como o dia ainda estava clareando, achamos que seríamos os primeiros a chegar em Maya Bay, entretanto, outros barcos já começavam a despontar no horizonte.

Assim que chegamos, um camarada veio nos receber e apontava para uma placa, cobrando uma taxa de preservação de 400 baht para entrar na ilha. A contragosto, pagamos essa taxa e fomos correndo tirar as fotos clássicas. A praia é bonita, o problema é que a área para nadar é bem pequena e fica cercada por cordas, uma vez que o número de barcos que chega é muito grande. Tente ir cedo, pois quando estávamos indo embora, começaram a chegar escunas e outros barcos grandes com multidões de turistas, principalmente chineses.

Em seguida fomos fazer snorkeling em duas paradas do barco. Muito bacana, com água super clara e vários peixes coloridos. Mesmo sem saber nada, fiquei boiando de colete e vendo o fundo do mar com a máscara.

O ponto baixo foi a Monkey Island, que consiste em uma faixa estreita de areia, um mar cheio de coral e vários macacos tentando roubar todos os seus pertences. Já não gosto de macaco e depois da viagem ao Nepal onde vi alguns com dentes grandes e bem agressivos, não me aventurei muito por ali. Alguns turistas europeus estavam encantados, deixando os macacos mexerem nas mochilas e fazendo carinho. Não recomendo muito, uma vez que bicho é bicho, e uma mordida pode acabar com sua viagem.

Já era o meio da tarde quando o barqueiro nos deixou de volta em Phi Phi. Pronto, agora era hora de farofar! Compramos várias cervejas e gelo e lotamos a booze bag do Bolonhesa. Aquilo sim era praia!

Depois de algumas horas bebendo, voltamos ao hotel para tomar banho e descansar. Não lembro direito como (acho que tem alguma coisa a ver com Tinder), mas acabamos em um terraço onde estavam umas brasileiras. Ficamos eu, Bolonhesa e o grupo delas conversando e depois resolvemos ir para a praia, onde acontecia uma festa com pinturas de neon e fogo.

Passado outro flash, lembro de me despedir das brasileiras e tentar achar o caminho para o hotel, uma vez que o Bolonhesa já havia sumido. O problema é que não sou muito bom com direções, então fiquei meio perdido pela ilha… Outro problema é que já era o fim da madrugada, daí aquele lugar vibrante e cheio de gente já estava escuro, vazio e com os famosos lady boys chamando para as supostas casas de “massagem”. Claro que fiquei morrendo de medo e comecei a mandar áudios e localização (agora meu celular tinha bateria) para o Bolonhesa, que prontamente veio me salvar!

Voltamos ao hotel e em um piscar de olhos, já era de manhã e Thiago e Guilherme nos acordaram e foram tomar café. Acho que tomei banho em um banheiro semi-vomitado e fui comer alguma coisa com eles, enquanto Bolonhesa estava desmaiado no quarto. Não consegui comer muita coisa, apesar do buffet liberado de café da manhã ser muito bom. Voltamos ao hotel, ressuscitamos o Bolonhesa defunto e fomos pegar a barca nojenta novamente para Krabi.

Já falei que essa barca era nojenta? Então, era uma bosta, confusão das malas, amontoado de gente e eu com uma ressaca maldita. Só sei que apaguei e quando acordei na cadeira no meio da viagem, Bolonhesa estava tentando não morrer no banheiro. A viagem durou uma eternidade e quando chegamos em Krabi, pegamos um táxi particular porque seria sofrimento demais esperar o ônibus de ressaca.

Kao San Road, Ping Pong Show, Viagem para Phi Phi

Após ouvirmos o conto de fadas do Bolonhesa, que levou bastante tempo para contar a história, com pausas para criar tensão, mímicas e todo o tipo de atitude para alongar a história e encaixar algumas cervejas no meio, ficamos aproveitando a noite pela Kao San Road, conversando com brasileiros, gringos e todo o tipo de gente. Foi no meio da noite que resolvemos aceitar um dos vários convites para o Ping Pong Show. Entramos no táxi de um motorista esquisito com a Aruane (brasileira que conhecemos na Kao San) e partimos para o show. O problema é que esses shows são afastados da cidade, logo, tivemos de andar um tempinho no táxi para chegarmos ao lugar.

Inicialmente estávamos com medo, pois não faltam histórias de golpes em turistas que se aventuram pelos mistérios do Ping Pong. Felizmente, no nosso caso, não aconteceu nada. Chegamos no local e apenas nos instruíram a não tirar nenhuma foto. Além disso, apesar de insistirem em nos oferecer bebidas, nós recusamos e só aceitamos a free drink a qual tínhamos direito.

Sinceramente, o show é bem decepcionante. Não é nada erótico e sim deprimente. Você vê que as mulheres não possuem outra forma de ganhar a vida e isso está claramente estampado no rosto delas enquanto tentam entreter os vários turistas que batem palmas e riem das performances. Depois de um tempo, meio tristes e querendo beber novamente, abandonamos o show e chamamos um uBer para retornarmos à Kao San. Acho que se dependêssemos de um táxi, provavelmente tentariam nos extorquir, cobrando um valor absurdo na corrida. Ponto para a tecnologia!

Chegando de volta à Kao San, continuamos na rua bebendo e conversando por mais um tempo até que o Guilherme resolveu ir embora. Não me lembro bem do que fiz com o Bolonhesa, só sei que havia me separado dele para levar a Aruane de volta ao hotel dela e o encontraria de volta no ponto de encontro definido anteriormente. O problema é que meu celular já estava praticamente morto e eu não conseguia encontrá-lo! Ao mesmo tempo, a Kao San já estava vazia e as figuras estranhas dos lady boys já começavam a dominar o ambiente.

Depois do que pareceu uma eternidade e eu insistentemente gravar áudios para o Bolonhesa, ele aparece do meu lado e partimos no uBer para o hotel. Já estávamos atrasados para o voo que pegaríamos para Krabi, mas não conseguíamos entrar em contato com o Thiago e Guilherme que estavam no hotel. O combinado era que eles deveriam partir para o aeroporto levando as nossas coisas se a gente atrasasse.

Chegando no hotel, correndo e desesperados, encontramos Thiago e Guilherme dormindo profundamente! Parece que aconteceu algum problema no celular do Guilherme ou ele estava muito bêbado para configurar o alarme. Resultado: ninguém estava pronto! Foi uma correria para encontrar um táxi, fechar malas, fazer check-out e partir para o aeroporto DMK.

No aeroporto, saímos correndo para entrar na fila de despachar bagagem, já sabendo que muito provavelmente perderíamos o voo. Quando finalmente nos chamaram, disseram que não era mais possível entrar no avião e que deveríamos pagar uma taxa para remarcar nosso voo. O problema era que esse procedimento deveria ser feito em outra fila e a diferença de tarifa paga em dinheiro! Não sei de onde, mas Bolonhesa desenterrou um tijolo de dinheiro e conseguiu pagar para todo mundo.

Correndo de volta para a primeira fila, conseguimos entrar na frente de todo mundo, despachar a bagagem, entrar no avião e finalmente dormir (eu e Bolonhesa estávamos virados).

Chegamos a Krabi e pegamos um transfer rumo às barcas para Ko Phi Phi. Esse barco é uma bosta: ele demora a chegar, demora a fazer o trajeto e as malas ficam todas empilhadas, gerando uma confusão absurda na hora de descer. De alguma forma, as coisas funcionaram e descemos em Phi Phi para encontrar o “escravo” do nosso hotel, que carregaria nossas mochilas.

Depois de tomar posse do quarto, saímos para conhecer o local, tomar uma cerveja e finalmente pisar nas areias. A praia de Phi Phi é bem tranquila e não faltam locais de festa para jovens bêbados. Como já era fim do dia, combinamos com um barqueiro o passeio para Railay Beach bem cedinho, jantamos e finalmente dormir….

Bologna Gump

Cansado de nos esperar e querendo aproveitar a noite de sábado em BANG-KOK, Bolonhesa resolveu colocar uma camisa do Brasil e sair para a Kao San Road. Como os brasileiros estavam infestando aquela cidade, rapidamente ele conseguiu fazer parte de um grupo e passar a noite com eles. Após algumas horas, quando entraram em uma boate, Bolonhesa disse que se perdeu dos brasileiros. Ficou por lá mais um tempo, mas resolveu ir embora no meio da madrugada.

Seguindo para o táxi, ele encontra um dos brasileiros desacordado e sendo carregado por um alemão e um ladyboy. Tentando obter informações com o alemão, ele disse que o brasileiro havia desmaiado e que o ladyboy estava indicando um hospital para levá-los. Como havia conhecido o indivíduo mais cedo, Bologna resolveu acompanhá-lo para garantir que nada de ruim aconteceria.

Após passarem por algumas ruelas, o ladyboy indica um quarto dentro de um cortiço com várias portas. Dentro do quarto, apenas um colchão no chão. “Leave him, He´s my friend…..My friend“. Desconfiado, Bolonhesa insistiu que não poderia deixar o brasileiro por lá, entretanto, nessa hora, o brasileiro acorda e começa a vomitar descontroladamente no chão.

Enraivecido, o ladyboy começa a xingar e expulsar todos. Sem precisarem de outro convite, Bolonhesa e o alemão saem do covil carregando o brasileiro vomitado. Nessa hora, como se revivido, o brasileiro acorda, empurra os dois e começa a correr pelas ruas de Bangkok, fugindo dos dois e gritando.

Sem pensar duas vezes, Bolonhesa corre atrás dele, deixando o alemão para trás e gritando que queria ajudá-lo. O brasileiro louco, corre cada vez mais rápido, gritando “Sai daqui, seu maluco!” para nosso herói destemido.

Depois de muita perseguição, o brasileiro entra em um Mc Donald´s. Cansado e sem saber o que fazer, Bolonhesa aguarda na porta, enquanto começa a se localizar no celular. Nessa hora, começa a ver uma movimentação de pessoas dentro da lanchonete. Assustado, ele entra e, para sua surpresa, o brasileiro está novamente deitado no chão e vomitando!

Tentando explicar a situação para os atendentes, ele coloca o brasileiro em uma cadeira e ajuda a limpá-lo. Em seguida, oferecendo água, tenta ressuscitar o zumbi, sem sucesso. Não conseguindo obter nenhuma informação de nome ou de hotel, Bologna resolve pedir uma porção de hot chicken wings para se alimentar. Entretanto, ao sair do banheiro onde havia se dirigido para lavar as mãos, ele não encontra mais o brasileiro zumbi. Assustado, olha para o atendente do Mc Donald´s, que aponta a rua, onde é possível avistar o brasileiro correndo novamente.

Bolonhesa dispara em direção ao Bolt, gritando e fazendo sinais. Quando então ele para, olha para trás e diz “Cara, o que tá acontecendo, eu tô muito louco…”. Com calma, nosso herói destemido retorna com Bolt à lanchonete para contar a história e oferecer água e comida. Depois de um tempo, os dois entram em um Uber, deixando Bolt em seu hotel e Bolonhesa de volta ao nosso quarto. Nessa hora, eu estou acordando e ele simplesmente me cumprimenta e dorme o sono dos justos e heróis.

Bangkok, There and back again….

Partimos cedo em direção ao aeroporto para retornarmos a Bangkok. Eu e Thiago correríamos BDMS Bangkok Marathon, mas devido à morte do rei Bhumibol Adulyadej o evento foi cancelado e nossa estadia em BKK ficou dividida desse jeito. Acabou que foi uma coisa boa, pois no início da viagem a Tailândia ainda encontrava-se em luto, logo, muitas atrações e pontos turísticos estavam fechados.

Deixamos nossas coisas no hotel e fomos visitar os pontos que haviam sobrado: Grand Palace, Wat Arun e Wat Pho. Uma curiosidade foi a grande quantidade de barraquinhas de rua oferecendo comida e bebida de graça para todas as pessoas na frente do Grand Palace. Claro que nos juntamos aos turistas e tailandeses e fizemos um tour gastronômico pela região.

No fim do dia, jantamos em Chinatown em um restaurante recomendado pelo Mark Weins (muito ruim, por sinal) e voltamos ao hotel. Eu estava completamente destruído e resolvi dormir depois do banho, combinando de sair com o Bolonhesa depois de um cochilo. Acabou que esse cochilo durou a noite inteira e só fui encontrá-lo no outro dia, quando acordei e ele estava chegando no quarto do hotel. Mas a história por trás disso só fui descobrir bem mais tarde, pois ele desmaiou na cama.

Como eu havia dormido bem, resolvi sair para uma corrida pela cidade até o parque Lumpini. Como fui um gênio e não levei celular e nem o nome do hotel, claro que me perdi e fiquei desesperado, tentando perguntar às pessoas na rua onde era Chinatown. Depois de muito insistir e pronunciar Yaowarat Road (a rua principal de Chinatown onde havíamos jantado na noite anterior) de milhares de formas diferentes, consegui uma boa alma que me orientasse e cheguei ao hotel.

Tomei banho, troquei de roupa e Bolonhesa continuava dormindo. Resolvemos eu, Guilherme e Thiago sair para o Chatuchak Market, o maior mercado de Bangkok. Lá encontramos todo tipo de comida, roupas, lembranças e mais um pouco. Ótimo lugar para experimentar as mais variadas street foods tailandesas.

Passado um tempo perambulando pelo mercado e após uma massagem, encontramos com Bolonhesa, que recebeu diversas ligações durante o dia e não contava o que havia acontecido na noite passada. Repetidamente ele dizia “Só vou contar quando vocês estiverem tomando uma cerveja comigo na Kao San Road hoje à noite” e não entregava nada da história.

Interessados na história e querendo aproveitar a última noite em Bangkok, eu e Guilherme fomos com ele até a Kao San Road. Chegando lá e após comprarmos 3 Tigers, Bolonhesa começa sua história.

Siem Reap, Angkor Wat, Pub Street

Acordamos super de madrugada e pedalamos em direção à bilheteria de Angkor Wat, localizada a 2km da cidade. Chegamos exatamente ás 5 da manhã (horário de abertura) e já havia uma longa fila nas cabines para comprar o ingresso. Fiquei cuidando das bicicletas enquanto Bolonhesa foi comprar o ingresso para nós (20 USD cada). O problema é que precisam da pessoa para tirar uma foto 3/4 e imprimir no ingresso. Então ele veio me chamar correndo e demos um jeitinho brasileiro, passando na frente das pessoas.

Continuamos a pedalar por pelo menos meia hora para chegar em Angkor Wat. O problema é que ainda estava escuro e a estrada não possui iluminação! Então tivemos de usar as laternas dos celulares, ao mesmo tempo que desviávamos dos buracos e dos carros/ônibus que insistiam em passar muito próximos de nós e buzinar.

Depois de toda essa correria, conseguimos entrar e ficamos sentados na beira do lago junto com todo mundo para assistir ao nascer do sol. Confesso que não foi grande coisa em si, mas a aventura de acordar de madrugada e pedalar correndo pelas estradas escuras valeu a pena.

Passamos o dia todo andando de templo em templo segundo um mapa que tínhamos e o GPS do celular. Tudo muito tranquilo, apenas tendo de mostrar o ingresso (que já estava derretendo de tão suado que estávamos) a cada templo que entrávamos e cobrir as pernas de vez em quando.

Dentro do complexo existem muitos vendedores e barraquinhas com comida e água, então não tem muita necessidade de sair carregando tudo (até porque é impossível carregar 68764564 litros de água gelada para aguentar o calor de lá).

Voltamos ao hotel pouco antes de desabar uma chuva torrencial em Siem Reap e estávamos completamente esgotados! Thiago e Guilherme resolveram fazer o passeio com tuktuk (opção dos fracos, gordões e velhos), logo, gastaram apenas umas 4 horas para visitar toda a área.

Após banho e um desmaio, saímos para a Pub Street para comer e beber infinito. Novamente, comemos o churrasco do Camboja, onde você gruda pedaços de carne em uma panela com brasa dentro, enquanto alguns legumes cozinham na água que ferve ao redor.

Depois do jantar, nossos amigos velhos foram embora e fiquei com o Bolonhesa curtindo a Pub Street. Conhecemos uns dinamarqueses que nos deram uma aula sobre maconha e que davam a impressão de querer nos pegar =P. Também encontramos um karokê muito bacana, mas que já estava encerrando. Só deu tempo do Bolonhesa dar show em apenas uma música \o/

Por fim, tentamos ficar numa balada, mas estava completamente lotada e tocando um batidão absurdo que não deixava a gente conversar. Resolvemos voltar para o hotel já de madrugada para descansarmos um pouco antes do voo.